Xerém, Duque de Caxias (RJ) – Na manhã do dia 1º de novembro, a comunidade de Xerém se uniu a estudantes, pesquisadores, líderes comunitários e representantes da Igreja Católica em um ato público contra o desmatamento que vem ocorrendo na região. A manifestação reuniu cerca de 200 pessoas na Praça da Mantiqueira, em um evento marcado por discursos emocionados e pelo clamor popular pela preservação ambiental.
Durante o ato, o microfone foi aberto de forma democrática, permitindo que moradores, professores, ambientalistas e religiosos expressassem suas opiniões. A iniciativa destacou a importância da participação popular na defesa do meio ambiente, reforçando o sentimento de união da comunidade diante da ameaça ambiental que atinge a região.
Localizado no 4º distrito de Duque de Caxias, Xerém abriga cerca de 23 mil habitantes e possui uma área de aproximadamente 15 quilômetros de raio, segundo dados do portal City-Facts. Assim como a Amazônia é considerada o “pulmão do Brasil”, Xerém representa o pulmão verde de Duque de Caxias, sendo uma das áreas mais preservadas do município e sustentando há décadas pequenos agricultores que dependem diretamente da terra.
Nos últimos meses, áreas de reserva ambiental vêm sendo devastadas por interesses imobiliários e empresariais, comprometendo o ecossistema local. Parte dessas áreas foi totalmente desmatada, afetando o habitat natural de animais silvestres, como os micos, comuns na região. Moradores relatam que, com o desmatamento, a presença desses animais nas áreas urbanas tornou-se frequente, o que, além de curiosidade, representa um risco ambiental e sanitário.
Durante os discursos, muitos lembraram tragédias passadas em Xerém, causadas pela degradação ambiental, como deslizamentos e enchentes que deixaram desabrigados, feridos e mortos — episódios que marcaram profundamente a memória da comunidade.
A Igreja Católica marcou presença no ato com o Padre Renato Gentile, pároco da Paróquia Nossa Senhora das Graças, que destacou em sua fala a visão cristã do cuidado com o planeta. “Deus, ao criar o mundo, viu que tudo era bom. Ele fez a natureza para o bem de todos”, afirmou o sacerdote, relembrando a Encíclica Laudato Si’, na qual o Papa Francisco chama atenção para a responsabilidade humana sobre a “casa comum”.
A pesquisadora da UFRJ, Professora Dra. Ana Brito, também participou da manifestação. Em seu discurso, ela alertou para as mudanças climáticas e o retrocesso ambiental que se observa em Xerém. “As transformações globais parecem distantes, mas elas também estão acontecendo aqui, no nosso território”, pontuou a pesquisadora.
O ato foi encerrado com uma caminhada até a Alameda Santa Alice, local onde ocorre um grave processo de desmatamento. Até o momento, nenhum órgão público se manifestou oficialmente sobre as denúncias. A comunidade, no entanto, promete continuar mobilizada, cobrando ações concretas das autoridades e respeito ao meio ambiente.